Docência "in loco"

Concurso para professor. TCC em educação. Prática pedagógica.

Conhecimentos Pedagógicos – Demerval Saviani

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História da Pedagogia no Brasil: Vicissitudes e perspectivas
No último dia 17, esteve em Rio Preto um professor, que para mim, é um livro. Professor que eu li (e se eu li é um livro mesmo) pela primeira vez no Cefam (e ele falou do CEFAM na palestra!!). Sabe aquela pessoa que você vê, mas não acredita que está viva, que existe mesmo? Estranho que em todos os momentos em que estive na Unicamp nunca tenha me passado pela cabeça conhecê-lo, ir até seu gabinete ou nada parecido, esperei por esse encontro aqui no ibilce, berço da minha segunda formação – segunda porque, para mim e creio que todos que passaram por lá, o CEFAM foi uma universidade também.
Nem havia me dado conta do quanto eu estava ansiosa por essa palestra. Me dei conta quando apareci na faculdade no dia 16 na certeza que era esse o dia. Micos à parte, eu acordei antes de brigar com alguém e percebi que eu estava no lugar certo, mas no dia errado, ainda teria de esperar. Parece muito por uma simples palestra? Eu me formei numa época em que se discutia essa nova LDB que está aí, o traço político e histórico é muito forte e presente na minha formação e prática docente também, portanto, ouvir um especialista em história da educação no Brasil é algo de muito valor para mim, além do fato de que eu queria muito postar um texto aqui sobre história da educação para vocês.
Demerval Savini proferiu palestra intitulada: “História da Pedagogia no Brasil: vicissitudes e perspectivas”. Gravei a palestra, mas não ficou bom suficiente e, como ele falou por duas horas, creio que não seria produtivo colocar aqui. Preferi falar no geral sobre o que ele disse e indicar textos que podem ser acessados livremente, por meio do periódicos da capes. É só clicar e ler o próprio Saviani. Claro que o professor tem muitos livros publicados também, cuja leitura sempre enriquece o educador preocupado em não se alienar em sua prática.
O autor é citado em alguns editais, mas o mais interessante de estudá-lo é em relação à legislação. Entender a legislação de um ponto de vista histórico, possibilita fácil entendimento e maior aplicabilidade do texto legal. Em algumas provas essa aplicabilidade é cobrada, como quando se dá o artigo da lei, uma situação qualquer e se pede a interpretação dos fatos, baseados na lei. Em seus textos, a conversa entre fatos, acontecimentos e redação dos textos legais são exemplificados de uma forma que torna fácil a sua compreensão.
A palestra inicia-se com a chegada dos Jesuítas e as primeiras preocupações pedagógicas brasileiras e termina com as discussões sobre formação de professores presente na elaboração do Plano Nacional de Educação. Saviani fala da história da pedagogia, da tentativa de consolidação dessa como um ramo do saber.
A origem da palavra pedagogia é grega, bem anterior à colonização do Brasil pelos portugueses, no entanto, os Jesuítas, apesar de vivenciarem a problemática pedagógica, no sentido de serem obrigados a “adaptar” seu modo de ensinar aos habitantes da Nova Terra, não a utilizavam e sua primeira introdução em textos legais não foi aceita – isso já em tempos de império.
Uma ressalva feito pelo professor, sobre a qual eu não havia me atentado é em relação à ligação metodológica que o termo encerra. Savini salienta que: “Toda pedagogia é teoria da educação, mas nem toda teoria da educação é pedagogia”. Ou seja, o termo pedagogia está intimamente ligado à metodologia, a aspectos didáticos.
A fala do professor foi toda detalhada, com leitura dos textos legais, datas e todo aparato histórico, ele falou sobre oito vicissitudes da história da pedagogia no Brasil e fez questão de definir a palavra vicissitude como: mudança, revés, azar entre outros significados. Essas oito vicissitudes se sucederam no tempo, nos legando o estado de coisas que temos hoje em relação à formação de professores no Brasil, ou seja, o problema é antigo e existe desde sempre – ou desde que deixamos de ser um país de pele vermelha para receber os europeus e sua cultura, que se tornou a nossa.
A primeira vicissitude diz respeito ao fato de a palavra ter sido rechaçada e impedida de constar do texto legal em 1827, na lei das Escolas de Primeiras Letras, lei que nos assegurou o dia de sua promulgação 15 de outubro, como dia do professor. Professor, mas sem pedagogia, pois consideraram o termo muito difícil para que todos compreendessem (qualquer semelhança com a forma com que somos tratados em certos cursos de capacitação não é mera coincidência, lá nos primórdios nossa capacidade de entendimento já era questionada!).
A segunda vicissitude diz respeito às intermitências das escolas normais e o fracasso da tentativa de formação como  professor adjunto. Ou seja, a proposta de formação era muito controversa, não houve uma instabilidade ou continuidade, mas também nenhuma ruptura (estão reconhecendo essa história também não é mesmo??)
A terceira vicissitude diz respeito à criação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, que foi prevista mas nunca instalada e a quarta do fracasso da elevação dos institutos de educação à nível superior. Esses institutos, com escola experimental anexa, teriam permitido uma formação de caráter científico, mas essa característica foi deixada de lado quando da incorporação por universidades.
A quinta vicissitude diz respeito à instituição do dualismo entre o pedagogo e o especialista, entre o professor e o especialista. A sexta no centramento da formação de profissionais de educação na docência,  concebendo-se que o objeto da educação abarca, mas não se reduz a docência. A sétima e oitava vicissitudes dizem respeito à fixação de diretrizes para o curso de pedagogia e da situação paradoxal atual em que se encontra a formação de professores no Brasil, formação inicial.
Em seguida, o professor fala sobre as perspectivas em relação à pedagogia no Brasil. Diz que o homem é um ser que se constitui historicamente e que, mesmo com as diretrizes que estão postas hoje, é possível uma formação sólida, voltando essa formação para a historicidade do saber pedagógico e educacional, bem como da historicidade do fazer pedagógico em sala de aula, enfatizando o caráter científico do conhecimento educacional.
E você está atento ao cenário educacional brasileiro? Participou de alguma reunião do CONAE? Tivemos CONAE em Rio Preto em 2009. O documento final pode ser encontrado aqui. Conhece o trabalho do Cedes na Unicamp? Considera importante sua participação nessas decisões? Acredita num futuro melhor para a educação brasileira? Compartilhe conosco suas ideias…

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Categoria: CONCURSO, Eventos
  • *…::Juju::…*

    Bom dia!! Foi uma palestra aberta ao público? Gostaria muito de tê-la visto, é muito bom participar da história e encontrar-se com pessoas como ele é ver a história em tempo real, muito bom. Que ótimo que ele fez alusão ao CEFAM, muito me orgulho de ter participado desta família. Muito bom quando afirma sobre a dicotomia entre a docência e a especialização que se faz em cursos de graduação em Pedagogia, eu que fiz universidade particular percebi muito este "pecado", pecado, pois, o professor (pedagogo) deve ser pesquisador em sua essência.
    Uma ótima semana…. Parabéns pelo ótimo texto, abraços…

  • Rosana Rogeri

    Bom dia!! Foi aberta sim, só tivemos de confirmar presença, pois lotou… eu mesma fiquei no aud. C em teleconferência. É Ju, precisamos mesmo assumir esse papel de pesquisador, pois os acadêmicos vão até um ponto, chega um lugar que o de competência do docente mesmo… que tem liberdade de concepções pedagógicas, o que o obriga a ter de fato conhecimento do que faz. Ainda estamos longe disso, mas não podemos nunca deixar de caminhar, não é? Só não podemos ficar parados.
    Ótima semana para nós…

  • micaeljackson42

    eu vou fazer um concosso para o cesft e queri saber como estudar conhecimento pedagogico

  • micaeljackson42

    vou fazer uma prova para entra no ceft e gostaria de saber como estudar conhemento padagogico

  • Rosana Rogeri

    Oi, Micaeljackson, tem de ver o conteúdo no edital, buscá-lo nos livros e estudar, gosto de resumos e mapas mentais como técnica, mas também pode gravar o conteúdo com sua voz, tudo depende do seu perfil como estudante.